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Artigo
Por Vilmar Berna* A internet é uma ferramenta nova e superpoderosa para a democratização da informação de uma maneira geral, inclusive a ambiental. Ainda assusta, é mal empregada, é utilizada abaixo de sua potencialidade, as agências de publicidade e os grandes anunciantes ainda não perceberam o potencial comercial que representa, mas é inegável que veio para ficar e ocupar cada vez mais espaços e importância em nossas vidas. E, é sempre bom lembrar, informação é poder. Sem acesso à informação, as lutas dos cidadãos por seus direitos e mesmo o exercício de seus deveres, ficam bem mais difíceis. A internet deu ao conceito de aldeia global a sua real dimensão. No campo ambiental, cujas lutas são locais e globais, já que a poluição não respeita fronteiras, além de uma ferramenta poderosa de informação é uma ferramenta que proporciona a interatividade, a articulação e o exercício de cidadania, ampliando a capacidade de luta e dando voz aos cidadãos de todo o planeta na defesa de seus direitos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Num país de dimensões continentais, como o Brasil, e com problemas ambientais que ultrapassam muitas fronteiras, a Internet veio ocupar uma lacuna onde antes não existia nada, talvez só o telefone, ou o telex, com todas as suas limitações. Graças à internet, a REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental, ancorada no www.jornaldomeioambiente.com.br vem pouco a pouco se tornando uma referência para produtores e difusores de informações ambientais de todo o Brasil e mesmo no exterior, comprometidos com o objetivo de contribuir para a formação de uma nova consciência, novos valores, uma nova cultura ambiental em nosso país, através da democratização da informação ambiental, com a justificativa de que, quanto mais acesso a sociedade tiver a informações ambientais qualificadas, maiores serão as chances para o exercício dos direitos e deveres de todo cidadão. É
importante que as novas gerações, que já nascem na
‘era Bil Gates' tenham acesso a esta tecnologia pois, assim como
a leitura foi importante na ‘era Guttemberg', o mesmo se dará
agora com a internet, sem excluir, claro, a cultura do papel, mas convivendo
em sinergia. E o ideal é que esse processo de inclusão digital
se dê pelo método semelhante ao do Paulo Freire, que alfabetiza
ao mesmo tempo que conscientiza e estimula a formação da
cidadania. É neste sentido que os Clubes de Amigos do Planeta,
se assumem também como Clubes de Inclusão Digital, pois
capacitam os jovens a se tornarem cidadãos planetários,
o que só se torna possível com o emprego da internet.
Vejo a evolução da internet, a grosso modo, em três ondas. A primeira, a do domínio dos equipamentos; a segunda, dos programas; e a terceira, a que estamos vivendo mais intensamente hoje, a dos conteúdos. Cresce a cada dia a quantidade de sites com conteúdo informativo, especialmente no campo ambiental, o que contribui para popularizar a internet e torná-la cada vez mais atrativa, pois raramente alguém não encontra o que procura e, quase sempre, consegue se surpreender positivamente com o que encontra, abrindo a sua frente um leque de possibilidades. Só para citar um exemplo, o site www.jornaldomeioambiente.com.br tem recebido a visita média de 100 mil internautas mensalmente. E este número não é 'chutado', mas auditado independentemente e é transparente. Qualquer pessoa pode ir ao menu do lado esquerdo, clicar em 'estatísticas' para ver os números de acessos diários, hoje, em torno de 3.500 ao dia. Qual é o veículo impresso especializado em meio ambiente que consegue manter uma performance como esta anos seguidos? No Brasil, nenhum, nem mesmo o Jornal do Meio Ambiente impresso. Tais números mostram que é crescente a quantidade de internautas que usam a internet como meio de informação ambiental. Por mais que a internet ainda seja um luxo para uma pequena parcela da população brasileira, em torno de 10%, ou 17 milhões de brasileiros, mas a tendência desses números é crescente. Ainda serão muitos os excluídos digitalmente e talvez mais da metade da população brasileira jamais venha a sequer chegar perto de um computador, mas o segmento da população brasileira incluída digitalmente ainda crescerá muito, e mesmo os números de incluídos digitalmente hoje, já são maiores que o número de habitantes de países europeus, revelando o Brasil como um mercado consumidor que só demandará mais investimentos por parte dos fabricantes de equipamentos, desenvolvedores de programas e de conteúdos para a Internet, o que significará mais empregos em todas as frentes, inclusive na área de comunicação, em nosso caso, especializada em meio ambiente. Creio que a tendência é a internet crescer em importância em relação às demais ferramentas de comunicação devido à interatividade que proporciona, até por que entre os internautas de hoje, não sei precisar em que percentuais, estão também os leitores de jornais e revistas, telespectadores da televisão e ouvinte dos rádios. Não sei como a internet irá influir em seus hábitos. Tenho percebido uma sinergia cada vez maior entre os veículos tradicionais, que citam e remetem seus leitores, telespectadores e ouvintes para sites e fontes na internet, com forma de complementar o espaço curto e a ausência de canais de interatividade que o público, aparentemente, exige cada vez mais. O Jornal do Meio Ambiente impresso segue esta tendência. Não sei se isso estimulará uma migração para a internet, ou se acabará por fortalecer todas as ferramentas à medida que traz mais gente para ‘consumir’ informações. Se ao telespectador da televisão, ao ouvinte do rádio, aos leitores de jornais e revistas só resta desligar ou usar o controle remoto para mudar de canal, ou não comprar um veículo com o qual não estiver afinado, com a internet ele é o próprio editor das informações, que estão ao alcance através de serviços de busca cada vez mais eficientes, como o Cadê, o Google, etc. E mais, se antes, não tinha como dialogar com outros leitores, a não ser através das 'cartas dos leitores' ou de complicadas e caras ligações telefônicas, agora pode tranqüilamente participar de fóruns de debates sobre temas do seu interesse, com pessoas que também estão afinadas no mesmo diapasão, criar seus próprios fóruns onde só entram convidados que aceitem as regras pré-estabelecidas. Veja o exemplo do Grupo de Debates Ambientais do Jornal do Meio Ambiente, hoje com cerca de 500 leitores ativos em todo o Brasil e no exterior. Há pouco mais de duas décadas, reunir tanta gente para debater temas ambientais era algo inimaginável, hoje perfeitamente natural e possível graças à Internet. Agora, transformar essa interatividade em ações concretas no mundo real, é outra história. Mas um passo de cada vez, certo!? Estamos desenvolvendo um sistema de abaixo-assinado, que é uma das formas, não a única, da cidadania ambiental se expressar e cobrar seus direitos. A idéia é que, uma vez implantado, passe a ser relativamente simples encaminhar abaixo-assinados a autoridades e empresas, com a legítima opinião dos cidadãos ambientais e acompanhar, através do site, o andamento do problema apontado, as respostas das autoridades e empresas, etc. Hoje,
o internauta interessado em meio ambiente pode ainda se inscrever em serviços
de notícias gratuitos, como o oferecido pelo Jornal do Meio Ambiente,
recebendo por e-mail, diariamente, informações focalizadas
em sua área de interesse. Há cerca uma década, seria
impossível reunir tanta informação qualificada sem
se dedicar por horas e horas de muita 'poluição da informação',
tendo de lidar com uma quantidade enorme de assuntos e informações
e gastar muito dinheiro com a assinatura de diversos veículos impressos.
Comparo um pouco a invenção da internet com a invenção do automóvel. Logo que surgiu era barulhento muito poluidor, lento, desconfortável, caríssimo, assustava os cavalos, os primeiros motoristas faziam o que queriam pois não haviam regras. Essa falta de limites e regras é natural para uma tecnologia com menos de uma década de popularização. Mas é preciso pensar nestas regras, principalmente pensar na inclusão digital de milhões e milhões de jovens que estão neste momento nos bancos escolares e precisam ter acesso e dominar esta tecnologia, para não serem os excluídos digitais de amanhã, onde a tendência é a internet baratear ainda mais e se tornar mais e mais acessível. Também é importante debater a ética e as regras na internet, pois elas se estabelecerão de qualquer forma, por bem ou por mal. Lembro novamente do automóvel. Acabou dominando e estabelecendo as suas regras para as ruas que antes pertenciam aos carroceiros, bicicletas, pedestres, que, por falta de debate ou por medo da nova tecnologia, não conseguiram se organizar adequadamente e estabelecer limites que favorecessem a maioria e, hoje, os 20% da população que possuem automóveis são os donos das ruas, pontes, túneis e viadutos das cidades, onde não há mais lugar nem para pedestres, cavalos ou bicicletas. JB
- sexta feira- 05/03/2004 Pela ressonância Schumann se procura dar uma explicação. O físico alemão W.O. Schumann constatou em 1952 que a Terra é cercada por uma campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera, cerca de 100km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância (dai chamar-se ressonância Schumann), mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo. Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo equilíbrio da biosfera, condição comum de todas as formas de vida. Verificou-se também que todos os vertebrados e o nosso cérebro são dotados da mesma frequência de 7,83 hertz. Empiricamente fez-se a constatação de que não podemos ser saudáveis fora dessa frequência biológica natural. Sempre que os astronautas, em razão das viagens espaciais, ficavam fora da ressonância Schumann, adoeciam. Mas submetidos à ação de um simulador Schumann recuperavam o equilíbrio e a saúde. Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tinham essa freqüência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que a partir dos anos 80, e de forma mais acentuada a partir dos anos 90, a freqüência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz por segundo. O coração da Terra disparou. Coincidentemente, desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros. Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann. Gaia, esse superorganismo vivo que é a Mãe Terra, deverá estar buscando formas de retornar a seu equilíbrio natural. E vai consegui-lo, mas não sabemos a que preço, a ser pago pela biosfera e pelos seres humanos. Aqui abre-se o espaço para grupos esotéricos e outros futuristas projetarem cenários, ora dramáticos, com catástrofes terríveis, ora esperançadores, como a irrupção da quarta dimensão, pela qual todos seremos mais intuitivos, mais espirituais e mais sintonizados com o biorritmo da Terra. Não pretendo reforçar esse tipo de leitura. Apenas enfatizo a tese recorrente entre grandes cosmólogos e biólogos de que a Terra é, efetivamente, um superorganismo vivo, de que Terra e humanidade formamos uma única entidade, como os astronautas testemunham de suas naves espaciais. Nós, seres humanos, somos Terra que sente, pensa, ama e venera. Porque somos isso, possuímos a mesma natureza bioelétrica e estamos envoltos pelas mesmas ondas ressonantes Schumann. Se queremos que a Terra reencontre seu equilíbrio, devemos começar por nós mesmos: fazer tudo sem estresse, com mais serenidade, com mais amor, que é uma energia essencialmente harmonizadora. Para isso importa termos coragem de ser anticultura dominante, que nos obriga a ser cada vez mais competitivos e efetivos. Precisamos respirar juntos com a Terra, para conspirar com ela pela paz. A Carta do Chefe Indígena Seattle (1854)
Resposta
do cacique Seattle ao Presidente Americano F. Pierce, que tentava comprar
as suas terras. Um exemplo sublime de consciência Holística
e Ecológica. Uma denúncia à ganância do homem
branco, cioso de seu intelecto. Um grito contra a injustiça dos
que pensam ter o direito sobre a terra, excluindo seus semelhantes e outros
seres vivos. Um apelo ao humanismo: "O ar é precioso para
o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro: o animal,
a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que
o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante
há vários dias, é insensível ao [seu próprio]
mau cheiro. (...) "Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar
nossa terra. Se nós a decidirmos aceitar, imporei uma condição:
O homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.
"O que é o homem sem os animais? Se os animais se fossem,
o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois
o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma
lição em tudo. Tudo está ligado. "Vocês
devem ensinar às sua crianças que o solo a seus pés
é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam
a seus filhos que ela foi enriquecida com a vida de nosso povo. Ensinem
às suas crianças o que ensinamos às nossas: que a
terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à Terra,
acontecerá também aos filhos da terra. Se os homens cospem
no solo, estão cuspindo em si mesmos. "Disto nós sabemos:
a terra não pertence ao homem; o homem é que pertence à
terra. Disto sabemos: todas as coisas então ligadas como o sangue
que une uma família. Há uma ligação em tudo.
"O que ocorre com a terra recairá sobre os filhos da terra.
O homem não teceu o teia da vida: ele é simplesmente um
de seus fios. Tudo o que fizermos ao tecido, fará o homem a si
mesmo. "Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala como ele de
amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É
possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De
uma coisa estamos certos ( e o homem branco poderá vir a descobrir
um dia ): Deus é um Só, qualquer que seja o nome que lhe
dêem. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir
nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus
do homem e sua compaixão é igual para o homem branco e para
o homem vermelho. A terra lhe é preciosa e feri-la é desprezar
o seu Criador. Os homens brancos também passarão; talvez
mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma
noite serão sufocados pelos próprios dejetos. "Mas
quando de sua desaparição, vocês brilharão
intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta
terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre
a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério
para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos
sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos
secretos das florestas densa impregnados do cheiro de muitos homens, e
a visão dos morros obstruídas por fios que falam. Onde está
o arvoredo? Desapareceu. Onde está a água? Desapareceu.
É o final da vida e o inicio da sobrevivência. "Como
é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra?
Essa Idéia nos parece um pouco estranha. Se não possuímos
o frescor do ar e o brilho da água, como é possível
comprá-los. "Cada pedaço de terra é sagrado
para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia
das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir
são sagrados na memória e experiência do meu povo.
A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças
do homem vermelho... "Essa água brilhante que escorre nos
riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de
nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se
de que ela é sagrada, e devem ensinar às suas crianças
que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas
dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo.
O murmúrio das águas é a voz dos meus ancestrais.
"Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios
carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos
nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar para seus filhos que
os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto,
vocês devem, dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
"Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes.
Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que
qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai
da terra tudo que necessita. A terra, para ele, não é sua
irmã, mas sua inimiga e, quando ele a conquista, extraindo dela
o que deseja, prossegue seu caminho. Deixa para traz os túmulos
de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que
seria de seus filhos e não se importa... Seu apetite devorará
a terra, deixando somente um deserto. "Eu não sei... nossos
costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades
fere os olhos do homem vermelho. Talvez porque o homem vermelho seja um
selvagem e não compreenda. "Não há um lugar
quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o
desabrochar de folhas na primavera ou o bater de asas de um inseto. Mas
talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído
parece somente insultar os ouvidos. E o que resta de um homem, se não
pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao
redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não
compreendo. O índio prefere o suave murmuro do vento encrespando
a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou
perfumado pelos pinheiros. " fonte: " EDUCAÇÃO
AMBIENTAL - Princípios e Práticas " |