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O que é Lúpus O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença crônica de causa desconhecida, onde acontecem alterações fundamentais no sistema imunológico da pessoa, atingindo predominantemente mulheres. O sistema imunológico é uma rede complexa de órgãos, tecidos, células e substâncias encontradas na circulação sanguínea, que agem em conjunto para nos proteger de agentes estranhos. Uma pessoa que tem LES, desenvolve anticorpos que reagem contra as suas células normais, podendo consequentemente afetar a pele, as articulações, rins e outros órgãos. Ou seja, a pessoa se torna "alérgica" a ela mesma, o que caracteriza o LES como uma doença auto-imune. Mas não é uma doença contagiosa, infecciosa ou maligna. A maioria dos casos de LES ocorre esporadicamente, indicando que fatores genéticos e ambientais tem um papel importante na doença. O Lupus varia enormemente de um paciente para outro, de casos simples que exigem intervenções médicas mínimas, à casos significativos com danos à órgãos vitais como pulmão, coração, rim e cérebro. A doença é caracterizada por períodos de atividade intercaladas por períodos de remissão que podem durar semanas, meses ou anos. Alguns pacientes nunca desenvolvem complicações severas. Diagnóstico O
diagnóstico correto é feito a partir do histórico
do paciente associado ao exame clínico e exames laboratoriais.
Algumas perguntas feitas ao paciente podem ajudar bastante no diagnóstico. Se 3 ou mais destas perguntas forem respondidas com um "sim" é recomendável um exame de sangue para testar a possibilidade de LES. Exames Laboratoriais Hemograma - é o exame onde são contadas as células vermelhas (hemácias ou eritrócitos) e brancas (leucócitos) do sangue, assim como as plaquetas, responsáveis pela sua coagulação. 40% dos pacientes de Lupus apresentam anemia (queda de células vermelhas), 15 a 20% apresentam leucopenia (queda de células brancas), e ainda 25 a 35% apresentam trombocitopenia (queda de plaquetas). Teste de Coombs - exame sanguíneo que comprova que a anemia é resultante da produção de anticorpos contra as hemácias - anemia hemolítica. Urina - os pacientes de Lupus podem apresentar aumento de células vermelhas (hematúria), aumento de estruturas cilíndricas (cilindrúria) e aumento de proteína (proteinúria) na urina. FAN
(fator anti-núcleo) - procura-se um anticorpo dirigido contra uma
substância do núcleo da célula. No núcleo localizam-se
algumas proteínas e também o DNA. Células LE - os neutrófilos são capazes de "engolir" núcleos de outras células atacadas pelo anticorpo anti-núcleo, formando as células LE positivas. Cerca de 80% dos pacientes de Lupus apresentam este teste positivo. Anticorpo anti-DNA - existem dois tipos de DNA, nativo (dupla hélice) e mono-hélice, sendo que 60 a 80% dos pacientes com LES produzem anticorpos contra ambos. A presença do anticorpo anti-DNA sugere a possibilidade de nefrite - inflamação dos rins. Anticorpo anti-SM - anticorpo dirigido contra uma proteína do núcleo no sangue, mas apenas 30% dos pacientes produzem esse anticorpo. Dosagem
de complemento - quando o anticorpo se liga ao antígeno forma-se
uma estrutura chamada imunocomplexo. Quando este se deposita, atrai uma
substância chamada complemento, responsável pela inflamação.
A dosagem de complemento total (CH50) e das frações C3 e
C4 são medidas, avaliando-se envolvimento renal e atividade da
doença. Causas Porque o sistema imunológico de uma pessoa que tem Lupus se perde deixando de reconhecer constituintes do seu próprio corpo, passando a atacá-los como se fossem estranhos? Ainda não temos a resposta, mas evidências. Imunidade Normalmente, o sistema imune tolera seu próprio organismo, não produzindo excessivamente anticorpos contra seu corpo. O que diferencia o paciente de LES é a enorme quantidade de auto-anticorpos dirigida contra seus constituintes próprios. Alguns estudos mostram que nos pacientes de Lupus, ocorre uma diminuição da atuação do linfócito T supressor, ou mesmo uma intensa estimulação de produção de linfócito T auxiliadores. Genética Hormônio Experiências com camundongos revelaram que o estrógeno tem um efeito acelerador da doença. Fêmeas que tiveram seus ovários retirados antes da puberdade, e que receberam altas doses de hormônio masculino, tiveram a doença menos intensa. E aqueles que receberam altas doses de estrógeno, tiveram a doença exacerbada. Os estrógenos provavelmente aumentam a produção de anticorpo anti-DNA, dentre outras consequências. Stress Luz
Ultravioleta Vírus Substâncias
Químicas
Tratamento Em qualquer tratamento de uma doença, individualizado e prolongado, é preciso desenvolver um ambiente de confiança e honestidade entre o médico e o paciente, a partir de um diálogo franco e aberto. É preciso obter todas as informações sobre o Lupus e os recursos da medicina atual para tratar e controlar suas manifestações. Não há um remédio para o Lupus que funcione da mesma forma como um antibiótico funciona para acabar com uma infecção. O tratamento do LES engloba uma série de medidas, entre medicamentos e normas para que se viva bem. Sol Dieta Drogas,
Álcool e Fumo Exercícios
e Repouso Medicamentos Corticosteróides - são hormônios sintéticos, cópia do hormônio cortisona produzido pela glândula supra-renal, extremamente potentes contra a inflamação. Mas apresentam efeitos colaterais em dosagens altas como ganho de peso, "inchaço", espinhas, pressão alta, catarata, devendo então ser usados com precaução e unicamente através de indicação médica. Os mais comuns são: prednisona, prednisolona, hidrocortisona, entre outros. Antiinflamatórios não-esteróides - alguns sintomas como fadiga, febre e artrite podem ser tratados eficientemente com não-esteróides. Não apresentam os efeitos colaterais dos esteróides, mas registra-se a intolerância do estômago. O mais antigo é a aspirina. Antimaláricos - são muito úteis para o controle da artrite e problemas de pele, usados também contra a malária. O maior problema com o seu uso se refere à visão, devendo-se estar atento à acuidade visual, o que sugere exames de controle junto ao oftalmologista. Os antimaláricos usados são cloroquina e hidroxicloroquina. Imunossupressores
- são usados para diminuir a ação do sistema imune,
existindo controvérsias sobre o seu uso em função
de grandes efeitos colaterais. É preciso avaliar muito seriamente
os benefícios e riscos associados a este tratamento.
01/11/2001 - 16h56 - Folha
Online Os Estados Unidos aprovaram hoje o teste da droga LymphoStat-B em humanos, de acordo com a empresa que desenvolveu o produto, a Human Genome Sciences. LymphoStat-B será usado no tratamento de pacientes adultos com lúpus, uma alteração do sistema imunológico que causa a inflamação de articulações, tecidos e órgãos conectivos. Cerca de 90% das pessoas que sofrem com a doença são formadas por mulheres até os 30 anos. A
empresa disse que espera no futuro testar a droga no tratamento de outras
doenças, como como artrite reumatóide.
Links http://www.lupusonline.com.br/
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