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Alzheimer

 

A população mundial envelhece com uma freqüência cada vez maior, e certamente aparecerão doenças próprias da terceira idade, tais como as doenças neurológicas degenerativas. O Mal de Alzheimer é de grande prevalência entre estas.
Descrito em 1907 pelo patologista alemão Alois Alzheimer, quando este descreveu os sinais e sintomas de uma pessoa de 51 anos - August, o mal só começou a ter seu mistério desvendado em 1984, quando se descobriram pistas do que leva os neurônios à morte.



O que é Doença de Alzheimer/Mal de Alzheimer ?


A Doença de Alzheimer (DA) é uma situação/condição de má-saúde devida à degeneração dos neurônios (células do cérebro), de caráter progressivo. Também conhecida como demência senil tipo Alzheimer, é a mais comum patologia do tipo demência. E o que vem a ser demência? Popularmente, conhecida como esclerose ou caduquice, a demência apresenta como características principais: problemas de memória, perdas de habilidades motoras (vestir-se, cozinhar, dirigir carro, lidar com dinheiro...), problemas de comportamento e confusão mental. A doença reduz a síntese de acetilcolina, neurotransmissor que transporta informações entre células cerebrais e ajuda a aumentar a agilidade mental, a memória e o aprendizado.

Tipos
A DA pode ser de dois tipos:

  • Tipo 1: senil - início após 65 anos. Comprometimento progressivo, não estacionário.
  • Tipo 2: pré-senil - início precoce, antes dos 65 anos. Neste o componente genético familiar é muito forte. Evolução mais agressiva, comprometimento mais rápido e intenso.

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Quais são os sinais e sintomas?


A DA aos poucos destrói os neurônios, causando falta de memória, desorientação, alucinações, perda da fala, dificuldade para realizar tarefas corriqueiras, em um processo degenerativo que pode durar até 15 anos.
No começo são os pequenos esquecimentos, normalmente aceito pelos familiares como parte normal do envelhecimento, mas que vão agravando-se gradualmente. As pessoas que contêm DA tornam-se confusas, e por vezes, ficam agressivas, passam a apresentar distúrbios de comportamento e terminam por não reconhecer os próprios familiares.
Cita-se a seguir os principais distúrbios no comportamento:

  • Agressividade
  • Dificuldades em dirigir (dirigem muito lento, provocam acidentes);
  • Problemas sexuais (ficam nus em qualquer lugar, masturbam-se compulsivamente). Neste caso deve-se encaminhar a pessoa para local privado;
  • Comportamentos repetitivos e estressantes;
  • Vaguear sem rumo;
  • Descuido com higiene pessoal e saúde;
  • Depressão.


À medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes dos familiares e cuidadores, quando precisam de ajuda para se locomover, têm dificuldades para se comunicarem, e passam a necessitar de supervisão integral para suas atividades comuns de vida diária, até mesmo as mais elementares, tais como alimentação, higiene, vestir-se...
A maioria das pessoas com Alzheimer passam por três fases: a inicial, a intermediária e a fase final:

  • A fase inicial dura de dois a quatro anos, em média, é caracterizada por alterações da memória recente, bem como desequilíbrios no estado emocional, além de distúrbios de linguagem e dificuldades progressiva para as atividades de vida diária;
  • Na fase intermediária, que dura em média de três a cinco anos, os déficits cognitivos (orientação, linguagem, memória, raciocínio) estão comprometidos, afetando as atividades da vida diária, além do aparecimento das dificuldades motoras. A pessoa pode apresentar movimentos e fala repetidas e agitação no final da tarde e à noite, atitudes infantis como não querer tomar banho ou ter medo de banho, incontinência urinária e fecal. Tem idéias fixas, caminha bem, porém apresenta riscos de quedas ou acidentes por confusão, ocorrem episódios de hostilidade (resistência, antipatia), implicância, desconfiança, agressividade física, entre outros;
  • Na fase avançada, que dura de um a três anos, a dependência é severa, os problemas de memória acentuam-se, e o aspecto físico da doença torna-se mais aparente. Risco aumentado, pela imobilidade, de apresentar pneumonia, desnutrição e úlcera por pressão. A causa da DA ainda é desconhecida.

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Como é o tratamento?


A DA é ainda carente de cura e tratamento, sendo os cuidados de conforto, ajuda e atenção os maiores alvos de bem estar para a pessoa que a tem.
Os medicamentos distribuídos pela rede pública são: rivastigmina, donepezil e galantamina. A maioria dos remédios disponíveis são inibidores de acetilcolisterase, enzima que degrada a acetilcolina, substância escassa nos portadores de Alzheimer. A droga atua impedindo o avanço dos sintomas.

Tratamentos em pesquisa

  • 65% das pessoas com DA têm a presença de um gene conhecido como APOE no cromossomo 19. No futuro, a engenharia genética poderá ajudar a prevenir a doença.
  • A solução para este mal também poderá estar no transplante de células-tronco, ou seja, células obtidas de embriões ou da medula óssea dos adultos. Como têm o poder de se transformar em qualquer tipo de célula, estas seriam injetadas no cérebro ou na corrente sangüínea da pessoa com DA para substituir os neurônios que foram destruídos. Essa técnica tem apresentado bons resultados em casos de lesões medulares e também para doença de Parkinson, já no Alzheimer, tudo ainda é muito experimental.
  • Medicamento anti-inflamatório: tem-se observado que a DA tem uma menor prevalência em pessoas que sofrem de artrite reumatóide. Essas pessoas costumam tomar medicamentos anti-inflamatórios durante longos períodos de tempo. Suspeita-se, por isso, que esses medicamentos possam reduzir o risco, adiar o início, e impedir o desenvolvimento da doença. A investigação tem continuado.


Fatores de risco

  • Idade: pode manifestar-se a partir dos 40 anos de idade. Maiores de 65 anos têm 10% de chance para desenvolver a DA e maiores de 85 anos têm 50%;
  • Depressão, por provável perda de neurotransmissores;
  • Baixa escolaridade: o maior aproveitamento neurológico é um fator de proteção;
  • Traumas crânio-encefálicos (na cabeça) repetidos;
  • História familiar - componente familial - da DA e a presença da síndrome de Down.



Como se faz o diagnóstico?

Diz-se que há o diagnóstico provável de Doença de Alzheimer, pois só pode ser comprovado por meio de necrópsia (exame feito quando a pessoa falece). O diagnóstico é baseado no comportamento, as pessoas com DA são avaliadas por meio de escalas como o miniexame do estado mental.
Também deve ser realizado o diagnóstico por exclusão, tendo como meta descartar possibilidades de demência reversível, depressão, e outras doenças com sinais e sintomas parecidos.

Medidas de prevenção

Pessoas com alta escolaridade e atividade intelectual intensa apresentam os sintomas tardiamente. O mesmo ocorre com mulheres na menopausa que fazem reposição hormonal. Comer peixe ou frutos do mar (contém vitamina E que proporciona proteção) ao menos uma vez por semana reduz a ameaça de DA.

Alguns cuidados que se pode ter com a pessoa que possui Doença de Alzheimer:

  • Estabelecer horário para tudo: refeições, acordar e dormir, banho, passeios (tomar sol), televisão...;
  • Manter a participação ativa da pessoa nas suas AVDs - atividades da vida diária;
  • Auxiliar/ realizar AVDs (banho, higiene oral, alimentação...) conforme rotina;
  • Cortar unhas semanalmente;
  • Dar peça por peça, ao vestir a pessoa;
  • Limitar muitas escolhas (ou isto ou aquilo);
  • Observar presença de lesão escondida, rachadura na pele ou nos pés, hematomas ou algum outro trauma que não se via antes, escaras (úlceras de decúbito) que estão iniciando, micoses...;
  • Fornecer ambiente calmo e previsível;
  • Proporcionar tarefas simples, fazer a pessoa sentir-se útil, agradecer pela ajuda prestada;
  • Restringir o manuseio de tarefas perigosas e complicadas como: fogão, água quente, gás de chuveiro, facas e tesouras, guardar coisas em locais altos e trocar lâmpadas;
  • Supervisionar a pessoa que fuma;
  • Monitorar a ingestão de medicamentos;
  • Administrar medicamentos conforme prescrição médica;
  • Relatar para o médico efeitos colaterais dos medicamentos;
  • Realizar distração da pessoa com hobbies que ela gosta (dança, caminhadas, música, exercício, animais de estimação...);
  • Evitar contenções;
  • Organizar o ambiente de forma simples, familiar e livre de ruídos;
  • Conferir se portas de saída da casa estão trancadas;
  • Supervisionar atividades fora de casa (caminhadas, passeios...);
  • Identificar a pessoa quando ela sair de casa;
  • Oferecer uma porção por vez e cortar o alimento em pedaços pequenos durante a refeição;
  • Realizar pelo menos uma refeição por dia junto a pessoa;
  • Verificar a temperatura dos alimentos;
  • Monitorar / estimular ingesta hídrica (de líquidos) e alimentar;
  • Evitar bebidas estimulantes à tardinha e à noite: café, chá-mate, refrigerante e bebidas alcoólicas;
  • Atentar para quando a pessoa engasga ou tosse, ao comer;
  • Observar e anotar diurese (urina) e evacuação (fezes);
  • Fazer o diário da incontinência, anotar os horários que a pessoa urina normalmente ou que ocorre a incontinência;
  • Sinalizar bem a porta do banheiro, com palavras grandes e chamativas ou colocar a própria figura de um vaso sanitário;
  • Levar a pessoa, em intervalos regulares, ao banheiro;
  • Trocar fraldas em intervalos regulares, usando água e sabonete neutro para retirar resíduos de fezes e de urina;
  • Limpar a região anal de frente para trás;
  • Identificar alterações no ritmo intestinal;
  • Desencorajar períodos de sono durante o dia;
  • Verificar se a pessoa não está desconfortável na cama, se ela não está sentindo dor ou mal-estar, medo, insegurança, falta de carinho ou da companhia de alguém no quarto;
  • Solicitar iluminação noturna;
  • Apoiar emocionalmente a pessoa para manter auto-imagem positiva;
  • Aplicar técnicas de relaxamento - ouvir música, oferecer leite quente, acariciar, massagear com creme e / ou óleo;
  • Promover a independência das atividades de autocuidado (que a pessoa realiza sozinha);
  • Encorajar visitas breves com no máximo dois visitantes por vez, telefonemas;
  • Tratar a pessoa como a mais normal possível - não a infantilize;
  • Fazer o "jogo da pessoa", quando cabível, a fim de evitar frustração;
  • Respeitar a pessoa como ser humano e manter a sua rotina de vida a mais normal e coerente possível;
  • Providenciar um relógio grande e uma folhinha de calendário grande, para que a pessoa identifique-se no tempo;
  • Repetir, todos os dias pela manhã-tarde-noite, a hora, o dia, o mês e o ano;
  • Procurar exercitar a memória, lembrando juntos os nomes dos retratos.
  • Falar frases claras e simples, não dê e nem peça muitas explicações;
  • Aplicar o bom humor nas atividades;
  • Suprimir discussões de problemas relacionados com a pessoa, na sua frente, como se ela não entendesse, não existisse ou não estivesse ali;
  • Orientar a pessoa ao dizer nomes (Fulano, seu filho...);
  • Fazer elogios e incentivar o seu bom desempenho.

Bibliografia: Convivendo com Alzheimer - manual do cuidador. Disponível na Internet: http://members.tripod.com/marcioborges/Alzheimer/manual.htm.
BARE, Brenda G.; SMELTZER, Suzanne C. Tratado de Enfermagem médico-cirúrgica. 9ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

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Fonte: http://www.cuidandoemcasa.bmd.br/materiais/materiais.php?vfLer=REFvcXVlZS50eHQ=

Outros Links sobre o assunto:

http://www.apaz.org.br/index.htm
http://www.emedix.com.br/artigos/neu006_1f_alzheimer.shtml
http://www.virtual.epm.br/material/tis/curr-bio/trab2002/alzheimer/causas.htm
http://www.polbr.med.br/arquivo/demencia.htm

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